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Alan Voss de volta aos Quadrinhos PDF Imprimir E-mail

O cara é fera mundial das HQs, Está ao nível de um Moebius, seu amigo, e ficou fora dos quadrinhos durante um período em que esteve em Portugal, Vive de ilustrações para a área publicitária, Certa vez pediram pra ele criar monstrinhos para serem transformados em bonequinhos que viriam dentro da lata de cereais matinais, Voss não teve dúvida, chamou o filho com seus então dez anos de idade para criá-los, Deu uma mexida e o resultado foi um sucesso, Voss é assim, gosta de curtir um trabalho como se estivesse produzindo um violino Stradivarius e se não curte consegue ao menos se divertir, Sempre lembrado pelos desenhistas como um incentivador de novos valores foi responsável pela descoberta de alguns deles como o Líbero Malavoglia, por exemplo, Morou no Brasil durante muitos anos e foi um dos primeiros, junto com Sérgio Macedo a se internacionalizar pelo caminho europeu, Nascido na França, Voss é brasileiro mais que francês e está na dúvida se volta a morar por aqui ou em Orleans na França, Mas o que prova o amor pelo que faz é que há poucos dias teve um acidente vascular e acordou com o lado direito do corpo paralisado, Ainda em recuperação continuou a desenhar seu álbum, graças à tecnologia da computação e que vocês podem degustar com exclusividade em nosso site, Voss e sua maravilhosa família sabem viver,

1- Alan Voss, você é um dos fundadores dos Humanóides Associados, responsável pela histórica revista Metal Hurlant, Como está agora esse mercado para uma revista como aquela? A ficção científica já não é mais a mesma nos quadrinhos?

R: Eu não sou um dos fundadores da Metal Hurlant, mas fiz parte da primeira equipe, A ficção científica, na minha opinião, está seguindo a mesma evolução que o cinema, muitos efeitos especiais e pouco conteúdo, Alguns desenhistas com traço fabuloso e cores maravilhosas mas que com tanto virtuosismo tecnico-tecnológico acabam por perder um bocado de espontaneidade, mas acho que impressiona, As vezes sinto falta de referencias mais reais nessas BDs, No fim, acho que criar BD de ficção científica é fácil demais, posso dizer isso pois já pratiquei esse gênero, A Metal Hurlant, hoje, não me agrada muito, muito dirigida para o público americano, e prá ser sincero, não curto muito super hérois, deve ser a idade, Acho que já é hora da BD trazer algo mais profundo, algum tipo de consciencia mesmo "light", Isso não impede quadros com muita ação,

2- E agora, como estão os artistas que participaram dessa fase? Você tem contato com todos?

R: Só converso de vez em quando com o Jean Giraud, o Moebius, Os outros, não sei onde estão, alguns foram para a ilustração, outros pararam , , ,

3- Uma vez você me disse que na época da Metal você levava um projeto de álbum e já recebia a grana pra produzir, Como funcionava a administração da editora dos Humanóides?

R: Naquela época, os Humanoides sempre tiveram problemas financeiros, mesmo vendendo as vezes 250, 000 exemplares, O administrador era um ex jogador profissional de poker em Los Angeles, Um napolitano maluco que nada devia saber de contabilidade, Fora isso havia muita droga rolando, o que fazia com que a realidade nos escapava um pouco,

4-Você produziu um álbum polêmico - HEILMAN, que fazia alegorias entre o nazismo e o rock dark, É um álbum que permanece atual?

R: Se eu acho Heilman atual hoje?Não, Foi fruto duma época, uma mistura de punk e esoterismo e graficamente influenciado pelas gravuras do Escher, Prá mim o movimento punk foi a grande onda dos anos 70, irrecuperavel pelo poder, identifiquei me de cara com ele, ao contrário dos hippies, Tambem haviam as influencias do Kiss(eles chamaram-me, queriam que eu fosse vê-los prá fazer uma HQ, só que não queriam pagar a passagem, , , nem eu, ), Gary Newman e do meu guia espiritual da época, que acabou por brigar comigo por causa da HQ, Heiman foi muito mal recebido pela crítica, nessa altura dominada pelos conservadores que giravam em torno da Pilote, Goscinni e outros, Esse álbum foi proibido na Alemanha, Depois ganhei o prêmio de melhor álbum do ano com Adrenaline, Era um album reunindo várias BDs publicadas na Metal Hurlant,

5-Você viveu bons anos no Brasil, Na época que esteve com os Mutantes e até desenhou as capas dos álbuns do grupo, rolou um namoro com a Rita Lee?

R: Isso é segredo de estado!

6- Aí em Portugal você mora em uma casa linda e tranquila de Sintra, porque essa vontade de morar novamente no Brasil ou na França?

R: Está acontecendo aquí uma coisa estranha, a sociedade portuguesa em vez de evoluir está regredindo, Na minha área então é uma tristeza,

7- Você tem um filho que também desenha e até já fez par contigo em trabalhos de merchandising, Como é um cara como você que viveu a força dos anos 70 criar um filho nesse início de século?

R: É relativamente fácil, eu não o crio, só ajudo êle a crescer, com confiança e amizade, E se êle quiser algum tipo de conselho, estou sempre a postos, Curtimos o mesmo tipo de música e vamos juntos aos concertos de rock, Os anos 70 estão longe,

8- Agora, você acaba de ter um problema de saúde ( aneurisma ) que deixou sua mão direita com problemas, Como consegue continuar desenhando?

R: A mão direita está funcionando a 80%, mas já não desenho no papel há alguns anos, O computador é a minha ferramenta atual, com êle o problema da mão não incomoda, Mas não existem mais originais,

9- Nesse momento você está desenhando "Anarcity", O que te fez voltar a produzir álbum de quadrinhos?

R: A vontade de contar uma história em primeiro lugar, algo que tivesse a ver com a realidade do mundo de hoje, com um personagem sem nada de mais, mas com uma particularidade:êle é um bébé proveta geneticamente modificado que o faz cicatrisar muito rápido e aceitar qualquer enxerto, desde que seja humano, Um personagem que é um marginal no sentido mais profundo, não é um criminoso, incapaz de ser desonesto, êle tem sua propria lei, Acaba sendo envolvido, sem querer e intervindo em acontecimentos que mudam a sociedade na qual vive

10- Como foi criada essa história?

R: Influenciada pelo Philip K, Dick, meu autor de SF preferido, o autor de Blade Runner e Minority Report, Morreu há alguns anos,

11- O mercado europeu de HQ está fraco? Pagam bem?

R: Vai muito bem, Não sei se pagam bem, veremos, Tambem depende do sucesso dos artistas, não é?

12- Quais são as tuas maiores referências na inspiração para os quadrinhos?

R: Atualmente nenhuma, Nesses últimos anos tenho feito muitos story boards de publicidade e a HQ que estou fazendo tem muito a ver com isso, Repito quadros de cenários nos quais os personagems se movem, ações acontecem, A diferença com a HQ "normal" é que tudo é feito em função de uma camera fixa, Mais filme que desenho animado que tem a mesma liberdade que a HQ,

13- N produção atual de HQ mundial, alguma coisa te agrada?

R: As vezes quando vou a Fnac, vejo coisas que me agradam mas os nomes me escapam, se quiser lhe mando alguns, dê me um ou dois dias,

14- Querdeixar algum recado para quem curte HQ?

R: Sejam exigentes, como autores e como leitores, isso é o que faz evoluir o gênero,

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1-Voss e a família

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08 de setembro de 2010
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